Não foi bonito. Não me entendo, não me desculpo. Aconteceu. Todos os dias aconteceu que não te telefonei. Fui e vim sem te apertar os ombros. De olhos fechados.
Temos alguma capacidade de rir da desgraça. Desta vez não teve graça.
Adio até ao delírio empacotar. Exploro os limites do caos de forma ordeira e determinada sempre que viajo. Agora agigantam-se cinco anos para encaixotar e a certeza de não poder voltar atrás.
Ontem comecei a separar revistas. Umas para dar, outras para guardar e outras para reciclar. Há tempo.
Passou um ano e meio. Há muito que o coração voltou ao sítio. Para ti, confesso, não encontrei poiso. Às vezes tens a persistência devota das almas penadas. Apareces por nada. Não incomodas, não fascinas. É. Pouco me lembro da dor. Às vezes quase te agradeço a beneplácita soberba de me teres feito viver um grande amor. Eu, que não me sabia capaz de tal engenho.